20/10/2016 às 10h53min - Atualizada em 20/10/2016 às 10h53min

Desumanidade e deboche em parto no HU

Rubens Nóbrega JPB

Inacreditável o que vai relatado adiante, mas tem tudo para ser verdade a ‘violência obstétrica’ narrada anteontem no Facebook por um estudante de Fisioterapia da UFPB. Ele denunciou médica que teria tratado com desumanidade e deboche uma parturiente no Hospital Universitário de João Pessoa. O fato teria ocorrido na segunda-feira (17), conforme a nota de protesto do aluno que vai reproduzida a seguir.
 
A nota do estudante
Venho expressar meu repúdio a uma violência obstétrica que presenciei hoje, junto com meus companheiros, em uma sala de parto do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), de João Pessoa – PB.
Estávamos trabalhando com uma parturiente desde as 8h da manhã, para aumentar a dilatação, favorecer a “descida” e encaixe do bebê além de promover melhor conforto à paciente durante essa fase dolorosa da gestação, o parto.
 
Por volta das 10h, nossa preceptora (professora) recomendou uma nova avaliação médica para verificar a dilatação.
Quando foi atendida a solicitação, constatou-se que a criança já estava coroando (quando a cabeça da criança se encontra evidente).
 
Preparou-se a sala de parto às pressas e estando tudo pronto para o momento expulsivo chega “uma médica” (dentre outras que já se encontravam em cena). Esta “médica” apresenta como sua primeira atitude (antes mesmo de ter qualquer contato com a paciente) segurar a tesoura e comentar com suas colegas de profissão, gesticulando com a tesoura:
– Olha aqui minha humanização! Olha, minha humanização.
A paciente sente a primeira contração e em conjunto faz força para expulsar a criança (posição cefálica e com cerca de 40% de sua calota evidente).
A médica pega a tesoura.
Na segunda contração, enquanto a paciente estava fazendo força, a “médica”, sem cerimônias, realiza uma episiotomia médio lateral na paciente (cortou a região perineal da paciente).
Eu e meus companheiros nos entreolhamos e todos reprovaram aquela atitude, pois a paciente estava evoluindo muito bem e rápido, bastava um pouco de paciência. Mas não podíamos falar nada, pois ela é “uma médica” e nós somos estudantes de Fisioterapia.
Não bastasse essa violência, uma outra profissional saca do seu bolso um celular e começa a instigar suas colegas a tirarem uma “selfie”.
“Não mulher, tem que sair o foco”.
“Pia como eu saí gorda!”.
“Eita, saiu as pernas da paciente. Tira outra, tira, tira”.
A partir desse momento, retirei-me da sala de parto, pois não tinha mais condições de presenciar tanta violência obstétrica, desumanidade e falta de profissionalismo.
Esse é o relato de mais uma das violências obstétricas que acontecem em nossos hospitais.
Peço que compartilhem para que as mulheres não deixem esse tipo de atitude passar em branco. Esse tipo de atitude é desumano, anti-ético e não profissional e devem ser denunciados.
Lutemos também contra esse tipo de violência.
Karl Marx Santana – 7º período de Fisioterapia da UFPB, atualmente cursando a disciplina de Fisioterapia Materno infantil
 
#NãoAViolênciaObstétrica
#SimAoPartoHumanizado
 
O que diz o HU
A Direção Médica do HULW foi procurada na manhã de hoje (19) para se pronunciar sobre a denúncia. O blog manteve contato com a Doutora Ana Flávia, diretora da Divisão Médica, que disse estar tomando conhecimento da denúncia naquele momento. Antecipou que vai se inteirar de forma mais circunstanciada sobre o assunto e, sendo o caso, tomar providências visando a uma possível apuração. “Vamos ouvir as pessoas que tenham presenciado ou participado do que foi narrado para podermos tomar uma posição”, declarou.
Enfermeiras do Setor de Obstetrícia do Hospital confirmaram ao blog que houve o procedimento denunciado pelo estudante Karl Marx, mas não identificaram a médica que teria cometido o corte pretensamente desnecessário na parturiente. Sugeriram o contato com a Diretoria Médica, que já havia sido tentado antes da ligação para aquela unidade. Já uma fonte ligada ao denunciante explicou que ele não citou o nome da obstetra protagonista do caso porque na sala de parto onde atuou ela não trazia qualquer inscrição identificadora gravada no jaleco.
 
 

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