O Açude Velho, um dos mais emblemáticos cartões-postais de Campina Grande, na região do Agreste paraibano, tem sido palco de um fenômeno preocupante que alterou sua paisagem habitual. Recentemente, moradores e visitantes notaram uma drástica mudança na coloração da água, que adquiriu um tom escuro, além da presença de peixes mortos flutuando e a emanação de um odor desagradável. A situação, que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, levou a Prefeitura Municipal de Campina Grande a emitir um comunicado oficial. Segundo a administração, os problemas observados estão diretamente associados a um fenômeno ambiental conhecido como “eutrofização”. Esta ocorrência, embora natural em certas condições, é intensificada por fatores como temperaturas elevadas, baixa circulação da água e a diminuição do volume de chuvas, características comuns desta época do ano na região. A compreensão deste processo é fundamental para entender os desafios e as soluções propostas para a recuperação do reservatório.
Entenda a eutrofização no Açude Velho
O que é e como ocorre o fenômeno ambiental
A eutrofização é um processo ecológico caracterizado pelo enriquecimento excessivo de um corpo d’água com nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo. Este excesso de nutrientes atua como um fertilizante natural, estimulando a proliferação acelerada de algas e outros microrganismos aquáticos, um fenômeno conhecido como “floração de algas”. Embora as algas sejam parte integrante de qualquer ecossistema aquático saudável, sua superpopulação gera um desequilíbrio severo.
No contexto do Açude Velho, a prefeitura esclarece que a alta incidência de temperaturas elevadas na região, combinada com uma menor circulação da água e a redução das precipitações pluviométricas – condições típicas da estação – cria um ambiente propício para a manifestação e agravamento da eutrofização. Quando essa grande quantidade de algas e microrganismos atinge seu ciclo de vida e morre, inicia-se um processo de decomposição. Bactérias e outros decompositores entram em ação, consumindo intensamente o oxigênio dissolvido na água.
A redução drástica dos níveis de oxigênio (hipóxia ou anoxia) tem consequências devastadoras para a vida aquática. Peixes e outros organismos que dependem do oxigênio para sobreviver não conseguem respirar, levando à mortandade em massa. A decomposição anaeróbia (sem oxigênio) desses organismos e das algas mortas é responsável pela alteração da coloração da água, que se torna mais escura e turva, além da emissão de gases com odores fétidos, como o gás sulfídrico, que causa o mau cheiro relatado pela população. A presença de efluentes irregulares, esgoto doméstico e resíduos orgânicos lançados no reservatório ou em seus afluentes pode intensificar a carga de nutrientes, acelerando o processo de eutrofização e tornando-o mais frequente e severo.
Respostas e ações da prefeitura de Campina Grande
Plano de recuperação e medidas emergenciais
Diante da complexidade do problema e da importância do Açude Velho como patrimônio ambiental e turístico, a Prefeitura de Campina Grande detalhou um plano estratégico para a recuperação do reservatório. Atualmente, o projeto encontra-se na fase inicial de planejamento, que envolve uma série de levantamentos técnicos aprofundados e a elaboração minuciosa de todos os projetos de engenharia e ambientais necessários. O objetivo principal é consolidar um arcabouço completo de informações técnicas, que são indispensáveis para os futuros processos licitatórios. Este rito administrativo é fundamental para garantir a transparência e a legalidade na contratação das empresas que serão responsáveis pelas intervenções físicas.
A expectativa é que as obras de recuperação do Açude Velho, que demandam um planejamento robusto e recursos significativos, possam ser iniciadas no primeiro semestre de 2026. A complexidade de um projeto desse porte, que pode incluir dragagem, revegetação de margens, implantação de sistemas de tratamento de afluentes e medidas de contenção da poluição, justifica o cronograma estendido.
Paralelamente a este projeto de longo prazo, a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) mantém um trabalho contínuo e permanente de monitoramento, fiscalização e manutenção preventiva e corretiva do Açude Velho e dos canais que o abastecem. Entre as ações rotineiras realizadas pela Sesuma, destacam-se:
Fiscalização ambiental: Equipes atuam para coibir o lançamento irregular de efluentes domésticos e industriais, bem como o descarte inadequado de lixo e outros resíduos que possam contribuir para o aumento da carga de nutrientes no reservatório. Esta fiscalização é crucial para atacar a raiz do problema da eutrofização.
Limpeza periódica da superfície da água: Uma rotina de limpeza é mantida para a remoção de folhas, resíduos sólidos (como plásticos, garrafas, embalagens), materiais flutuantes, galhos, e até mesmo animais mortos. A retirada desses elementos não só melhora a estética do Açude Velho, mas também evita que eles se decomponham na água, liberando mais nutrientes e agravando a eutrofização.
Essas medidas emergenciais e preventivas são essenciais para mitigar os efeitos imediatos da eutrofização e garantir que o ecossistema do Açude Velho seja protegido enquanto o projeto de recuperação definitiva avança.
Conclusão
A recente manifestação de água escura, mortandade de peixes e mau cheiro no Açude Velho, um símbolo de Campina Grande, acende um alerta sobre a saúde ambiental do reservatório. A explicação técnica da prefeitura, que aponta para a eutrofização como causa, ressalta a interação complexa entre fatores climáticos, como altas temperaturas e baixa pluviosidade, e a presença de nutrientes excessivos na água. A administração municipal demonstra um compromisso com a resolução do problema através de um plano de recuperação de longo prazo, com início das intervenções previsto para 2026, e a manutenção de ações contínuas de fiscalização e limpeza. A proteção do Açude Velho é uma responsabilidade compartilhada, que exige a conscientização da população e o engajamento em práticas que contribuam para a preservação de um dos mais importantes patrimônios naturais e culturais da cidade.
FAQ: Dúvidas frequentes sobre o Açude Velho
1. O que é eutrofização e qual sua causa principal no Açude Velho?
A eutrofização é o excesso de nutrientes (nitrogênio e fósforo) em um corpo d’água, causando a proliferação acelerada de algas. No Açude Velho, é agravada por altas temperaturas, baixa circulação da água, poucas chuvas e o lançamento de efluentes irregulares.
2. Quais são os impactos da eutrofização no ecossistema e para a população?
Os impactos incluem a diminuição drástica do oxigênio na água, levando à morte de peixes e outros organismos aquáticos. Para a população, causa alteração na cor da água, mau cheiro e prejudica o valor estético e turístico do reservatório.
3. Quando estão previstas as intervenções definitivas para a recuperação do Açude Velho?
As intervenções definitivas, que fazem parte de um projeto de recuperação mais amplo, estão programadas para ter início no primeiro semestre de 2026, após a conclusão das fases de planejamento técnico e licitatório.
4. Como a população pode contribuir para a preservação do Açude Velho?
A população pode contribuir evitando o descarte irregular de lixo e esgoto em vias públicas e corpos d’água, participando de campanhas de conscientização ambiental e denunciando qualquer prática que possa comprometer a qualidade do Açude Velho às autoridades competentes.
Mantenha-se informado sobre a saúde ambiental de Campina Grande e a evolução do projeto de recuperação do Açude Velho. Siga as redes sociais da prefeitura para atualizações e participe ativamente da preservação de nossos patrimônios naturais.
Fonte: https://www.maispb.com.br