Aumento do Bolsa Família para negros pode reduzir desigualdade, diz estudo

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Uma pesquisa publicada neste mês concluiu que um aumento no valor do Bolsa Família para beneficiários negros poderia contribuir para reduzir a desigualdade social no Brasil.

Isso porque, segundo a pesquisadora Mayara Amorim, autora do estudo, os negros são os mais afetados tanto pela pobreza quanto pela extrema pobreza.

Segundo a autora, que é mestre em direito pela PUC Campinas, os afrodescendentes enfrentam mais dificuldade para ascender social e economicamente.

Para Amorim, é preciso identificar o perfil das pessoas em situação de pobreza ou pobreza extrema e compreender como é possível que elas sobrevivam com rendas tão baixas.

De acordo com o Banco Mundial, pessoas que vivem na pobreza têm um poder de compra de até US$ 5,50 por dia –o equivalente a cerca de R$ 26 na cotação atual do dólar. Já aqueles que vivem na extrema pobreza têm a disposição US$ 1,90, o equivalente a aproximadamente R$ 9 por dia.

Para Mayara, os resultados da pesquisa refletem os efeitos do chamado “racismo estrutural”. “Essa discriminação institucionalizada potencializa a desigualdade social de renda entre as pessoas pretas e pardas a partir do momento que as estruturas econômicas são distribuídas.”

Outra conclusão do estudo é o fato de que as mulheres negras são ainda mais suscetíveis a viver em situação de vulnerabilidade social.  “Precisamos colocar a figura da mulher negra como um motor do desenvolvimento social de forma estratégica no nosso país”, acrescenta a pesquisadora.

Segundo o governo federal, na folha de pagamento de março deste ano, 81,2% dos benefícios do Bolsa Família foram concedidos em nome de mulheres.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Brasil, 63% das casas chefiadas por mulheres negras com filhos de até 14 anos estão abaixo da linha da pobreza.

“Não é uma uma questão muito fácil de se resolver a partir do momento que é uma questão estrutural. Eu acho que um dos caminhos possíveis é o aperfeiçoamento também em conjunto com um novo desenho institucional de políticas públicas que considere a estrutura da sociedade e como ela é esmagada pelo racismo”, pontua a pesquisadora.

 

* Sob supervisão de Vital Neto

source
Fonte : CNN BRASIL

Leia Também

Deixe seu Comentário