© José Cruz/Agência Brasil
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O Brasil registra um progresso notável na saúde da mulher, com dados recentes do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, apontando que <b>91,9% das brasileiras na faixa etária entre 50 e 69 anos já realizaram o exame de mamografia em algum momento da vida</b>. Essa estatística, divulgada em janeiro, representa um aumento significativo em comparação aos 82,8% registrados em 2007, evidenciando um avanço contínuo na conscientização e no acesso ao diagnóstico precoce do câncer de mama no país.

Cobertura da Mamografia Atinge Níveis Elevados no Brasil

A pesquisa Vigitel revela um crescimento consistente na realização da mamografia, estendendo-se por todas as faixas etárias e níveis de instrução. Entre 2007 e 2024, a frequência do exame aumentou notavelmente para mulheres com idades entre 60 e 69 anos, saltando de 81% para 93,1%. No que tange à escolaridade, a maior progressão foi observada entre mulheres sem instrução formal ou com ensino fundamental incompleto, cuja taxa de mamografias subiu de 79,1% para 88,6% no mesmo período. Além da avaliação vitalícia, o levantamento também indicou um incremento na proporção de mulheres de 60 a 69 anos que realizaram o exame nos últimos dois anos, passando de 67,2% em 2007 para 74,2% em 2024, um indicador crucial para a detecção regular.

Expansão do Acesso e Novas Diretrizes do SUS para o Diagnóstico Precoce

Em resposta à prevalência da doença em outras faixas etárias e visando aprimorar o diagnóstico precoce, o Ministério da Saúde tem implementado políticas de expansão importantes. Um quarto dos casos de câncer de mama é detectado em mulheres entre 40 e 49 anos, o que levou o Sistema Único de Saúde (SUS) a expandir a oferta de mamografias para esse público, mesmo na ausência de sintomas ou histórico familiar. Antes, essa faixa etária enfrentava dificuldades de acesso ao exame na rede pública. Atualmente, os exames para pacientes com menos de 50 anos já representam 30% do total de mamografias realizadas pelo SUS, superando a marca de 1 milhão em 2024. Adicionalmente, o Ministério anunciou a ampliação da faixa etária para o rastreamento ativo, passando o limite de 69 para 74 anos, considerando que quase 60% dos casos da doença se concentram entre 50 e 74 anos e o envelhecimento é um fator de risco relevante.

Câncer de Mama no Cenário Nacional: Desafios Persistentes e Estatísticas Alarmantes

Apesar dos avanços na cobertura, o câncer de mama permanece como a neoplasia mais comum e que mais causa mortes entre as mulheres no Brasil, com uma estimativa de 37 mil casos anuais. De acordo com a publicação “Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil” do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país pode registrar aproximadamente 78.610 novos casos por ano nesse período. Bruno Giordano, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro, alerta que, lamentavelmente, milhares de mulheres ainda chegam aos serviços de saúde em estágios avançados da doença. Essa situação compromete significativamente o sucesso do tratamento e eleva a taxa de mortalidade, atribuindo-se a entraves históricos como a baixa cobertura em certas populações, dificuldades de acesso à rede de atendimento e o tempo prolongado entre a realização do exame, a confirmação diagnóstica e o início da terapia. A mamografia é, portanto, o principal exame para detectar a doença em fases iniciais, antes mesmo do surgimento de sintomas visíveis, ampliando substancialmente as chances de cura, que podem chegar a 95% quando o diagnóstico é precoce.

Prevenção Abrangente: Além do Exame, Hábitos Saudáveis e Políticas Públicas

O combate ao câncer de mama transcende a importância da mamografia periódica, englobando também a adoção de um estilo de vida saudável e a educação em saúde. O Dr. Giordano enfatiza que a prática regular de atividade física, a manutenção de um peso corporal adequado, uma alimentação equilibrada e a redução do consumo de álcool são medidas comprovadamente associadas à diminuição do risco de desenvolver a doença. É fundamental que essas iniciativas de prevenção caminhem lado a lado com políticas públicas robustas, que não apenas ampliem o acesso à informação e aos serviços de diagnóstico, mas também garantam o tratamento imediato. Neste contexto, o cumprimento da 'lei dos 60 dias' – que assegura o direito de todo paciente com neoplasia maligna iniciar o primeiro tratamento no SUS em até 60 dias após o diagnóstico – é vital para salvar vidas e reduzir o impacto devastador da doença.

O panorama atual reflete um esforço contínuo do sistema de saúde e da sociedade para enfrentar o câncer de mama. Embora os dados do Vigitel sejam encorajadores e as políticas de expansão do SUS representem um passo à frente, os desafios persistem. A vigilância constante, a ampliação do acesso irrestrito e a conscientização sobre a prevenção, aliadas à garantia de tratamento rápido, são pilares essenciais para transformar a realidade da doença no Brasil, proporcionando mais diagnósticos precoces e, consequentemente, mais vidas salvas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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