A economia da China continua sua trajetória de queda. Estatísticas oficiais divulgadas na segunda-feira, 17 de junho, indicam um aumento da crise imobiliária, com queda em maio do preço médio dos imóveis novos pelo 11º mês consecutivo, e um crescimento industrial no mesmo mês abaixo do esperado.

Os dados divulgados sobre o desempenho do mercado imobiliário causaram mais preocupação, pois reforçaram a certeza de que a crise no setor, que já dura anos, deverá continuar a arrastar a economia chinesa para baixo no médio prazo.

De acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas, os preços das casas novas caíram quase 4% em maio em comparação com o ano anterior, piorando em relação à queda de 3% observada no mês anterior. Numa mostra da complexidade da crise, nos primeiros cinco meses do ano, o investimento imobiliário caiu 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A cada mês que passa, o passivo causado pelo estouro da bolha imobiliária – o investimento preferido por 80% das famílias chinesas durante três décadas de crescimento de dois dígitos da economia do país – cresce sem que as medidas de reversão adotadas pelo governo surtam efeito.

A crise teve início em 2020, quando o governo decidiu cortar o dinheiro fácil que alimentou a expansão – empréstimos a juros baixos para incorporadoras erguerem prédios em todas as regiões do país -, desencadeando uma cadeia de falências.

O resultado é que a crise criou dois problemas sobrepostos: cerca de 4 milhões de apartamentos que ninguém quer comprar – por causa do preço elevado de construção, sem demanda depois que a crise estourou – e outras 10 milhões de unidades, segundo estimativa conservadora, que as incorporadoras já venderam, mas ainda não terminaram de construir.

Uma estimativa recente, da empresa de investigação Rhodium Group, coloca a totalidade do prejuízo dos investimentos internos do setor imobiliário, incluindo empréstimos e obrigações, em mais de US$ 10 trilhões. Esse valor inclui prejuízos de incorporadoras, construtores, agentes imobiliários, pequenas empresas e bancos em todo o país.

O governo chinês vem tentando reverter a crise desde o ano passado, anunciando estímulos para recuperar o setor, de redução de juros a perdão de algumas dívidas de incorporadoras, para que retomassem as obras paradas.

A estratégia não foi suficiente e, no mês passado, foi anunciado um pacote de medidas de US$ 41 bilhões para aliviar o mercado imobiliário. Entre elas, remoção das taxas de juros mínimas sobre hipotecas e a ajuda de financiamento de empréstimos para empresas estatais começarem a comprar os imóveis vazios, para transformá-los em habitação social para população de baixa renda.

Especialistas do setor, porém, afirmam que seria necessário muito mais dinheiro – entre US$ 280 bilhões a US$ 560 bilhões – para ao menos evitar o aumento do rombo.

“Apesar da recente onda de flexibilização imobiliária, a atividade do setor permaneceu deprimida em maio”, afirma relatório a clientes distribuído pelo banco Goldman Sachs. “Os dados mostram que ainda é necessária uma flexibilização contínua da política, especialmente do lado da procura e do mercado imobiliário.”

Queda industrial

Os números ruins do setor imobiliário não foram a única má notícia do dia para os chineses. A estratégia do governo de dar subsídios para a indústria – especialmente de produtos de energia limpa – e, com isso, incrementar as exportações para impulsionar a economia tampouco rendeu bons resultados em maio.

A produção industrial aumentou 5,6% em maio em relação ao mesmo do ano anterior – mas abaixo do ritmo de quase 7% em abril e inferior ao que os economistas previam.

Para piorar, a estratégia industrial da China passou a enfrentar reações adversas em todo o mundo, ameaçando agravar uma guerra comercial global. Os EUA decidiram sobretaxar em 100% os veículos elétricos chineses, que segundo a Casa Branca são vendidos abaixo do preço de custo por causa dos subsídios.

A União Europeia também aumentou as tarifas de importação dos carros elétricos chineses alegando os mesmos motivos. O governo chinês reagiu também na segunda, 17 de junho, anunciando uma investigação antidumping sobre as importações de carne suína da União Europeia.

Em meio a tantas más notícias, o Departamento Nacional de Estatísticas revelou que os gastos no varejo aumentaram 3,7% em relação ao ano anterior, índice um pouco acima do mês anterior. O dado dá uma ideia do desafio imposto ao governo chinês: embora o país seja responsável por 30% da produção industrial mundial, responde apenas por 13% do consumo das famílias.

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