São Paulo – O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu para que a Corregedoria da Polícia Civil investigue a devolução de bens realizada à influencer Vitória Guarizo Demito, de 25 anos, presa desde o dia 25 de julho. Entre os patrimônios devolvidos estariam um Ipad, um Macbook e um carro, da marca Jaguar, que haviam sido apreendidos pela polícia.

Vitória e namorado Gabriel Duarte de Meneses, 29, foram acusados por um homem de 46 anos de dopá-lo, no golpe “Boa Noite, Cinderela”, e submetê-lo a uma sessão de tortura com queimaduras de maçarico para roubar R$ 41 mil, no Morumbi, zona sul da capital paulista, no dia 18 de maio. Por causa da investigação do suposto roubo, a polícia foi ao apartamento do casal, encontrou drogas e o prendeu em flagrante por tráfico de entorpecentes.

O casal alega inocência em ambos os crimes. No suposto roubo, Vitória e Gabriel afirmam que foram contratados para fazer um programa e que a vítima teria pedido para apanhar por prazer. Já no processo de tráfico de drogas, dizem que os entorpecentes e os remédios encontrados eram de uso próprio.

No relatório final do inquérito do roubo, o delegado Eduardo Luis Ferreira, do 27º Distrito Policial (Campo Belo), concluiu que a vítima poderia estar mentindo e pediu para que a prisão temporária da influencer não fosse renovada. O relatório da investigação foi entregue no dia 22 de agosto.

Tráfico de drogas

Os laudos não confirmaram as queimaduras alegadas pelo homem. O delegado também argumentou que nenhuma nova vítima do casal foi à delegacia denunciar outros casos de golpe – indício de que Vitória e Gabriel não fazem parte de uma quadrilha.

“Além disso, paira ainda o receio de que Vitória (que possui comportamento extremamente passivo, depressivo e afeminado) possa vir a ser vitimizado sexualmente em ambiente carcerário, o que não é incomum nas cadeias do nosso país”, escreveu o delegado. Com base no relatório, os advogados de defesa pediram a soltura do casal.

Vitória e Gabriel, no entanto, já haviam sido denunciados, no dia 9 de agosto, por associação e tráfico de drogas – crimes que podem chegar a até 25 anos de prisão, considerando a pena máxima. A juíza Letícia de Assis Bruning, da 31ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), aceitou a denúncia do MPSP no dia 23 e decidiu manter as prisões.

No apartamento do casal, os policiais encontraram 17 comprimidos de ecstasy, sete porções de maconha, dois potes de cocaína e uma porção de haxixe.

Corregedoria

Em manifestação à Justiça, obtida pelo Metrópoles, a promotora que atua no processo de tráfico de drogas se opôs ao pedido de soltura, questionou a investigação policial sobre o roubo e apontou indícios do crime.

“Embora apresentadas inconsistências no relato da vítima, parece que isto não se aplica aos investigados”, escreveu a promotora substituta Anne Marie Lourenço Karsten, do MPSP, na quinta-feira (31/8). “Outrossim, embora sugerido ao início das investigações, sequer foi realizada a quebra de sigilo bancário ao menos do beneficiário dos 40 mil reais a fim de identificar o rumo da vantagem ilícita – ‘follow the money’ (siga o dinheiro).”

Entre os indícios apontados, está o fato de o próprio Gabriel admitir, em depoimento, que se aproveitou do estado do homem, que estava drogado, para fazer transferências bancárias a mais. O relógio da vítima, declarado como roubado, também foi encontrado com ele.

Na manifestação, Anne Marie também reclama que os bens foram devolvidos, sem passar por perícia, e pediu para que a Corregedoria da Polícia Civil apure os motivos.

“Todos os objetos foram devolvidos aos indiciados, sem autorização judicial ou manifestação do Ministério Público”, escreveu. “Poderia contribuir com o deslinde deste feito, ou seja, apresentar elementos sobre a compra, fornecimento ou compartilhamento de drogas e remédios psicotrópicos.”

Segundo o auto de entrega, registrado no 27º DP, o tablet e o notebook de Vitória foram restituídos à mãe da influencer no dia 16 de agosto.

“Todos os demais bens apreendidos dos investigados foram devolvidos, inclusive um automóvel Jaguar, sem que fosse apresentado nos autos qualquer comprovante de propriedade e origem lícita do bem, o que é de praxe em se tratando de crimes com proveito econômico, seja tráfico ou extorsão”, registrou a promotora.

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Por Metrópoles

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