“Menos cinquentinha”: sou otimista com a Bolsa brasileira, mas pessimista com os preços dela

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Caros(as) leitores(as),

Nesta última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar a taxa basal de juros em 50 pontos base, de 13,75% ao ano para 13,25%. Esse movimento inicia o ciclo de cortes no Brasil, afrouxamento das condições monetárias.

O mercado já esperava essa decisão e os dados econômicos indicavam uma melhora no quadro inflacionário e das perspectivas à frente também. Os olhos sempre se voltam ao comunicado nesses casos e podemos dizer que o mercado vibrou com a decisão.

Os juros futuros, indicados pelos contratos DI negociados na BM&F, já demonstravam uma redução nesse patamar de Selic há algum tempo. Os agentes sempre buscam antecipar os movimentos e desta vez não foi diferente.

Bom, se não houve grandes novidades, por que esse momento era tão importante?

 Eu costumo dizer que o grande professor dos investidores e investidoras é o juro. Nós, os profissionais do mercado, podemos nos esforçar ao limite para educar financeiramente o país e, certamente, teremos algum resultado positivo. No entanto, jamais seremos mais fortes que a força gravitacional dos juros.

A Selic em patamares elevados como esse fez com que os brasileiros voltassem “casas” para trás no processo de aprofundamento financeiro. Até outubro de 2016, nós tínhamos uma taxa de juro basal da economia extremamente elevada. Um ciclo importante de reformas permitiu que ela fosse cortada pela entidade monetária na época e, com isso, passamos a viver um período de juros menores.

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Parte relevante dos ativos de renda fixa, aqueles mais simples e conservadores, tem a remuneração indexada ao juro. Os famosos “pós-fixados”, normalmente atrelados à taxa do CDI ou à taxa Selic.

Em períodos de afrouxamento da política monetária, esses ativos passam a entregar retornos menores ao investidor. A turma sente a diferença no bolso, em sua poupança tão valiosa que pensa num futuro melhor.

Com retornos mais baixos, a busca por sofisticação da carteira começa. Para obter retornos maiores, será preciso tomar um pouco mais de risco, ter veículos e produtos mais elaborados – consumir mais informação (como a minha coluna), assinar relatórios das casas de análise, e assim por diante.

Porém, esse período durou pouco por aqui. Mesmo o Brasil sendo esse “aluno nota 6”, os movimentos de política monetária recentes foram abruptos.

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De maneira ainda mais veloz que o processo de cortes, a taxa Selic voltou a subir e retomou ao patamar de dois dígitos. A volta do temido rentismo começou.

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O brasileiro voltou a investir de maneira mais relevante nesses ativos mais simples, como LCIs e LCAs, que viram seus estoques disparar em termos de tamanho. Não há novidade por aqui também, esse pêndulo financeiro sempre foi presente no país.

Mas e agora que o ciclo de cortes começou?

 Eu espero uma retomada do aprofundamento financeiro, ou seja, devemos assistir uma diminuição gradual dos estoques desses ativos e parte desse dinheiro vai migrar para ativos de risco, como a Bolsa, por exemplo. O dinheiro deve voltar para o lugar que saiu.

A procura por diversificação e sofisticação nas carteiras vai acontecer e a audiência de conteúdos sobre mercado começa paulatinamente a subir (o que indica aumento do interesse). Um filme conhecido.

A boa notícia

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 Embora muito tenha sido precificado, com fluxo fraco, existem oportunidades na Bolsa. Podemos encontrar bons negócios a bons preços, muita coisa ainda está esquecida.

Esse fluxo deve pressionar o preço dos ativos para cima, ou seja, posso afirmar que sou otimista com a Bolsa principalmente por conta desse movimento.

A má notícia

Sou pessimista com os preços, ou melhor, com o valuation. Os ativos tendem a ficar mais caros com esse movimento, reduz as oportunidades e, inclusive, pode ser motivo para realização de mais caixa.

Pode parecer contraintuitivo para alguns, mas quando os juros estão maiores e a Bolsa sofrendo com isso, esse é o momento de comprar. Quando o movimento contrário acontece, eu fico mais cauteloso.

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Dito isso, se você que está lendo este texto não possui nenhuma exposição a bons negócios na sua carteira de investimento, deveria repensar. Caso você já tenha, excelente.

A gente tenta avisar, mas os juros fazem com que as pessoas deixem de ler conteúdos como esse e, sem saber do convite, acabam chegando no fim da festa.

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Fonte : Infomoney

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