Alvo da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (25/1), o deputado Alexandre Ramagem comentou a operação deflagrada em 2023 contra o uso ilegal do equipamento First Mile para espionar autoridades brasileiras no governo Jair Bolsonaro.

O equipamento foi usado de forma indevida por servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre julho de 2019 e abril de 2022, época em que o órgão era comandado por Ramagem. As informações eram usadas para coagir opositores de Bolsonaro.


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Em outubro do ano passado, a PF prendeu dois servidores da Abin envolvidos no caso. Sem negar a espionagem, Ramagem disse que a ação era resultado de um “trabalho de austeridade” iniciado dentro da Abin em sua gestão.

“Esse sistema objeto da operação de hoje na Abin foi adquirido em 2018, antes do governo Bolsonaro. Quando assumimos a Abin, em 2019, promovemos auditoria formal de todos os contratos. O referido sistema não faz interceptação, mas demonstrava fazer localização. Mesmo tendo passado por prova de conceito técnico e parecer favorável da AGU para aquisição (2018), nossa gestão resolveu encaminhar à corregedoria para instaurar correição”, disse Ramagem em seu perfil no X, antigo Twitter.

“A operação de hoje só foi possível com esse início de trabalho de austeridade promovido na nossa gestão (governo Bolsonaro). Rogamos que as investigações prossigam atinentes a fatos, fundamentos e provas, não se levando por falsas narrativas e especulações”, escreveu o deputado.

Antes disso, em março de 2023, Ramagem também divulgou um vídeo para rebater denúncias sobre o uso da ferramenta de espionagem. No vídeo, o ex-chefe da Abin disse ter determinado auditorias nos contratos do órgão e buscado informações sobre a regularidade da ferramenta. Naquela ocasião, ele também não negou o uso do First Mile para espionar autoridades.

 

“Não seria ilógico, sem sentido, acusar quem justamente empreendeu verificação e controle? Por que não quiseram saber quem adquiriu a ferramenta e por que adquiriu a ferramenta? Não. Eu digo o porquê: porque a Abin parece ter cumprido seu papel para avisar das ameaças do dia 8 de Janeiro e desacreditá-la parece ser um bom plano, é conveniente”, disse Ramagem, sugerindo que as denúncias serviriam para gerar descrédito com relação à Abin e com relação à sua atuação na oposição ao governo Lula.

Durante as investigações sobre o uso indevido do First Mile, a PF identificou mais de 33 mil rastreamentos dos celulares de políticos, jornalistas e integrantes do Judiciário, entre eles o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Por Metrópoles