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Aos 77 anos, morre Paulo Roberto Teixeira, pioneiro na luta pelo acesso universal a remédios contra aids

Aos 77 anos, morre Paulo Roberto Teixeira, pioneiro na luta pelo acesso universal a remédios contra aids
© Emi Shimma/Divulgação

Legado na saúde pública brasileira

O médico Paulo Roberto Teixeira, figura central na estruturação das políticas de combate à aids no Brasil, faleceu neste sábado (19), aos 77 anos. Sua trajetória foi marcada pela defesa intransigente do acesso universal à saúde e pelos direitos humanos, consolidando-se como uma das vozes mais influentes da medicina preventiva no país.

A atuação de Teixeira ganhou destaque em 1983, quando liderou a primeira resposta governamental à epidemia de aids. Em um cenário de escasso conhecimento científico e forte estigma social, ele aplicou sua experiência prévia no programa de hanseníase de São Paulo para desenhar estratégias que priorizavam o acolhimento, a prevenção e a assistência integral aos pacientes.

A batalha pela quebra de patentes e acesso a medicamentos

À frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde no ano 2000, o médico protagonizou um embate histórico contra a indústria farmacêutica. Ele denunciou que os altos custos dos antirretrovirais inviabilizavam a sustentabilidade do tratamento universal oferecido pelo SUS, defendendo a quebra de patentes para garantir a produção de genéricos.

Essa postura desafiou a Lei de Patentes de 1996 e impulsionou uma rede de transferência de tecnologia entre países do Sul global. O esforço culminou em 2001, quando a Organização Mundial do Comércio (OMC) reconheceu que o direito à saúde deve prevalecer sobre as regras de propriedade intelectual, um marco para nações em desenvolvimento.

Projeção internacional e compromisso com o tratamento

O impacto do trabalho de Paulo Roberto Teixeira ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 2003, ele assumiu o Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), onde desempenhou um papel estratégico na iniciativa 3 by 5. O projeto estabeleceu a meta ambiciosa de colocar 3 milhões de pessoas vivendo com HIV em tratamento até o final de 2005.

O Ministério da Saúde emitiu uma nota oficial lamentando a perda, destacando que o médico dedicou sua vida ao fortalecimento do sistema público de saúde. Sua atuação é reconhecida como um pilar fundamental que transformou o modelo brasileiro de enfrentamento à epidemia em uma referência mundial de sucesso e humanização, conforme detalhado pela Agência Brasil.

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