Ainda considerado um assunto tabu na sociedade, o sexo depois dos 60 anos de idade é pouco comentado e também visibilizado em produções midiáticas e até de mercado. Não é muito comum ver cenas quentes entre idosos nas principais novelas do país e nem produtos voltados para essa faixa etária quando o tema é sexo, mesmo com essas pessoas ainda tendo questões em aberto sobre isso. 

Os corpos, os rostos e as idades que a sociedade naturalizou como “padrões” são os mais jovens. No entanto, o quadro especial “Papo Íntimo”, do Bom Dia Paraíba, da TV Cabo Branco, exibido nesta sexta-feira (1º), com a participação da ginecologista Wanicleide Leite, recebeu perguntas de idosos sobre sexo nessa faixa etária. 

O Jornal da Paraíba separou nesta matéria os principais tópicos abordados, entre perguntas e respostas, com curiosidades, dicas e, principalmente, como cuidar da saúde sexual acima dos 60 anos. 

Se a mulher não pratica sexo por muito tempo pode voltar a ser virgem? 

É verdade, sim. Existe a atrofia vaginal, que é um ressecamento da mucosa vaginal, da vulva e dos pequenos lábios, dos grandes lábios. Existe um ressecamento geral. E de fato, se não tem uso, se não tem estímulo, vai sim fechando tudo. Quando eu falei que a mulher pode utilizar os dilatadores vaginais, é exatamente aquela mulher que muitas vezes passou muitos anos sem sexo, também não se estimulava e de repente agora ela está começando a vida sexual e tem dificuldade. Aí é realmente indicado o uso dos dilatadores vaginais para voltar ao que era antes. E lógico que com um parceiro que estimule bem, ela vai retomar essa vida sexual. Sexo não tem idade. 

Como voltar a fazer sexo após muito tempo? 

Tem que usar os dilatadores vaginais, tem que fazer um trabalho, tem que desbloquear algumas coisas na cabeça. São várias atividades ali. Tem várias atividades para reabilitar a vida sexual. Às vezes a pessoa fica muito tempo afastada, aí diz, como é que vai ser meu desempenho? Como é que eu vou me comportar? Como é que vai ser? Quebrou a perna, aí você faz uma temporada de fisioterapia para voltar a andar. A vida sexual é da mesma forma. Mesma coisa nessa questão sexual. Tanto para o homem como para a mulher. Existem homens também que às vezes passam muito tempo com uma única parceira na vida. 30, 40, 50 anos. Aí agora ele vai recomeçar, então ele entra no processo que precisa dessa reabilitação. Não é da noite para o dia, tanto física como psicologicamente também.

Pessoas idosas não precisam fazer papanicolau? 

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(Foto: Divulgação)

A coisa não é bem assim. Às vezes tem mulheres com menos de 25 anos que já têm até 3, 4, 5 filhos. Então ela já tem uma vida sexual, já tem uma necessidade de fazer esse Papanicolau por conta da própria condição de vida dela. Às vezes a mulher tem 70, 80 anos e tem uma vida sexual ativa e precisa fazer esse Papanicolau para tratar tanto as infecções genitais como também muitas vezes para fazer a prevenção. Então não existe uma data, um tempo específico que existe. É o estilo de vida dessa mulher. Uma mulher com 70, 80 anos, com vida sexual. Às vezes até com múltiplos parceiros. Essa sim que precisa fazer a prevenção. A cada dois anos, pelo menos. A depender do estilo de vida dela. No mínimo a cada dois anos. Mas o ideal é anualmente.

Homem com quase 60 não ter mais vontade de ter relação sexual é normal? 

É, pode ser. Não é que seja normal. Pode estar acontecendo com ele devido à baixa da testosterona. Porque existe uma diferença entre a ereção e o desejo sexual. Às vezes o homem tem uma ereção e não tem desejo. O desejo é baixo porque ele está faltando testosterona. Às vezes ele tem desejo e não consegue ter uma ereção por outros fatores vasculares, enfim. Então o homem é algo que a gente precisa avaliar e fazer reposição hormonal também. Não só a mulher. E o desejo sexual é diretamente proporcional à quantidade de testosterona. Está com o desejo baixo, tem que levantar a testosterona. A atividade física melhora a testosterona. Estimula a testosterona, estimula a vitalidade.

Entrar na menopausa depois de um certo tempo e não sentir mais orgasmo acontece? 

Não só em relação à vontade de ter relação, não só em relação à dificuldade de ter a excitação, que é a lubrificação vaginal, mas também falar do orgasmo, a dificuldade de se ter orgasmo. É fato que nesse período da menopausa acontece muito da mulher ter essa dificuldade, sim. Mas você pode melhorar isso aí ampliando mais, já que você voltou ativa, ampliando mais as suas preliminares e também soltando mais. Às vezes a mulher fica muito tensa e há dificuldade do orgasmo por conta da tensão, a preocupação também de como é que eu vou ter essa performance sexual, de atender muitas vezes à parceria, ou como é que eu posso ser melhor nisso. Então relaxa, esquece, curte o momento que o orgasmo chega tranquilamente, tá?

Quais as diferenças entre lubrificante e hidratante vaginal para tirar ressecamento? 

Sexo depois dos 60: veja perguntas e respostas
Entenda a diferença entre lubrificante e hidratante vaginal – Foto: Freepik

Deixa eu só fazer um esclarecimento para vocês todas em relação à diferença entre o lubrificante e o hidratante vaginal. Tem uma grande diferença. O hidratante vaginal é a base de água e de ácido hialurônico, então ele melhora muito a questão da retenção da água no canal vaginal, melhorando a mucosa vaginal, hidratando. Já o lubrificante, ele tem outras substâncias que dá aquela sensação de deslizamento, de melhora momentânea, mas na verdade ele não dá uma permanência, por isso que não trata. Então o indicado mesmo é o hidratante vaginal que pode ser usado em dias alternados, não precisa nem ser todos os dias, mas dia sim dia não você pode manter essa hidratação. Agora, a gente não pode esquecer de falar do grande hidratante vaginal que é acessível a todas as mulheres, que é o óleo de coco. Esse pode ser usado todos os dias. Ele hidrata e previne também contra outras doenças, por exemplo, não apenas para o ressecamento vaginal, mas para candidíase, para qualquer corrimento vaginal que possa apresentar, o óleo de coco resolve.

ISTs têm crescido entre idosos?

Exatamente, têm crescido, inclusive o HIV, as doenças como hepatite, como HPV, que são as sexualmente transmissíveis, e eles precisam, sim, tomar essa consciência. Vai trocar parceira, está namorando, o namoro começa, não dá continuidade, chega uma outra pessoa, e assim, como acontece na juventude, na adolescência, toda a fase da vida, precisa se proteger.

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Fonte: Jornal da Paraíba

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