Os processos inflamatórios atrasam significativamente a saúde do ser humano. Eles, por muitas vezes, são eventos crônicos e duradouros no organismo que ocorrem progressivamente até que um dia explodem em doenças mais severas. 

A inflamação crônica pode ocorrer de forma persistente pela exposição prolongada a agentes tóxicos, sejam exógenos ou endógenos, pela imunidade e por outros fatores mediados pelo comportamento e pelos hábitos de vida. A inflamação crônica prolongada é perigosa porque, além de muitas vezes ser silenciosa, altera muitos processos corporais. 

No que diz respeito à alimentação, a alta ingestão de produtos industrializados, com adição de componentes químicos, pode piorar ainda mais o quadro. Para se ter uma ideia, os alimentos ultraprocessados, aqueles que sofrem não apenas processamento industrial, como adição de corantes, espessantes, acidulantes e outros, já foram associados ao surgimento de mais de 25 tipos de câncer. 


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Dentre esse tipo de alimento, um, em específico, pode preocupar ainda mais, principalmente quando consumido com frequência. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre o consumo de alimentos embutidos, como peito de peru, bacon e presunto, classificando-os como grupo 1 de alimentos carcinogênicos.  Para se ter ideia da gravidade que isso representa, esses alimentos alcançaram o mesmo patamar de substâncias e produtos como tabaco, amianto e fumaça de óleo de diesel.

Para alcançar essa classificação, são realizados estudos em humanos e animais, além da realização de pesquisas sobre quaisquer aspectos que sejam significativos, como metabolismo, fatores genéticos e toxicologia do agente. 

Dessa forma, não se trata de um mito, mas de evidências que motivaram a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) e a OMS a conscientizarem a sociedade.

As carnes processadas, a exemplo da mortadela, da linguiça, do peito de peru, do presunto, do salame e do bacon possuem substâncias conhecidas como nitritos e nitratos de sódio, grandes responsáveis pela classificação cancerígena. Essas substâncias são problemáticas, porque, no processo de cura, ocorre uma transformação desses aditivos em compostos nitrosos, que se tornam carcinogênicos. O câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum globalmente e o segundo mais letal.

Na foto, vários pedaços de bacon - Metrópoles
O bacon é um exemplo de carne vermelha altamente processada, rica em gordura saturada e que aumenta o colesterol ruim

Ajustes na dieta que considerem a inclusão de frutas e vegetais e reduzam o consumo de carne processada já diminui, significativamente, o risco de câncer colorretal. 

Em dados, é estimado dois milhões de casos de câncer colorretal anualmente no mundo, responsáveis por um milhão de mortes. Dessas, 34 mil são atribuídas ao consumo de carnes processadas. Logo, 50 gramas de carnes processadas ao dia já podem representar um risco maior de 18% de câncer colorretal, segundo a Iarc.

Limitar o consumo desse tipo de carne pode ser o melhor caminho para manter a saúde.

 

(*) Thaiz Brito é nutricionista pós-graduanda em Nutrição Esportiva Clínica

 

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Por Metrópoles