O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, protagonizou um momento de tensão diplomática na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, quando diversas delegações optaram por deixar o plenário durante seu discurso. A saída dos representantes, incluindo a delegação brasileira, provocou uma resposta imediata e contundente do líder israelense, que não hesitou em confrontar os que se retiravam.
O incidente sublinha as profundas divisões e o cenário de polarização que marcam as discussões internacionais, especialmente em temas relacionados ao Oriente Médio. Netanyahu aproveitou a ocasião para defender as políticas de seu país e criticar veementemente aqueles que considera adversários, tanto no âmbito diplomático quanto em outras esferas.
Netanyahu reage à saída de delegações com forte crítica
No início de seu pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, Benjamin Netanyahu foi confrontado com a retirada de várias delegações do plenário. Em resposta, o primeiro-ministro israelense dirigiu-se aos presentes com um sorriso, declarando: “Antes de começar, apenas um breve aviso: se houver outros covardes morais que ainda não deixaram este recinto, por favor, façam-no agora. Muito obrigado”.
Mais adiante em seu discurso, Netanyahu reiterou suas críticas, estendendo-as também aos manifestantes que se encontravam do lado de fora da sede da ONU. Ele questionou a postura dos que o criticavam, perguntando: “Onde vocês estavam quando os tiranos do Irã massacraram e mutilaram dezenas de milhares de manifestantes iranianos desarmados?”. A fala reflete a estratégia do premiê de contra-atacar as acusações, apontando para o que ele considera hipocrisia por parte de seus críticos.
Confronto direto com o prefeito de Nova York
Além das delegações, Netanyahu direcionou críticas específicas ao prefeito democrata de Nova York, Zohran Mamdani, que o havia acusado de ser um “criminoso de guerra” devido às ações de Israel na Faixa de Gaza. O premiê israelense expressou preocupação com a segurança da comunidade judaica na cidade sob a gestão de Mamdani.
“Senhor Mamdani, desde que o senhor foi eleito prefeito desta cidade, muitos judeus não se sentem mais seguros em Nova York. Eles conversam comigo; dizem-me: ‘Esta não é a cidade de que nos lembramos. Mudou tão rapidamente’”, afirmou Netanyahu. Ele ironizou as amizades e posicionamentos de Mamdani, citando o apoio a figuras que teriam elogiado o Hamas ou feito declarações controversas sobre eventos como o 11 de Setembro. Netanyahu também mencionou a esposa do prefeito, que teria curtido publicações elogiando o massacre de 7 de Outubro e defendendo que Tel Aviv não deveria existir, e criticou a recusa de Mamdani em condenar tais atos, enquanto acusava Israel de genocídio.
Defesa de Israel e críticas a adversários internacionais
Durante seu discurso, o primeiro-ministro israelense agradeceu publicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio militar a Israel, e classificou as Forças de Defesa israelenses (FDI) como o “exército mais moral do mundo”. Essa declaração reforça a aliança estratégica entre Israel e os EUA e a visão de Netanyahu sobre a conduta militar de seu país.
Netanyahu também dirigiu críticas a países como Catar e Turquia, acusando-os de apoiar o grupo terrorista Hamas. Ele ironizou nações europeias que tomaram ou ameaçaram tomar medidas contra Israel por conta dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. “Estamos em uma estreita faixa de terra que equivale a cerca de um terço de 1% da extensão territorial de todo o mundo árabe. No entanto, acusaram Israel — o pequeno Israel — de colonialismo. Que tipo de colonialismo é esse? E quem nos acusa? Bem, entre eles estão pessoas no Reino Unido e na França. Pelo amor de Deus, foram eles que inventaram o termo! Suas colônias se estendiam por todo o globo. Colonialismo — poupem-nos!”, disparou, rebatendo as acusações com um argumento histórico.
O contexto do Tribunal Penal Internacional
As acusações de Mamdani contra Netanyahu ganharam um contorno legal quando o prefeito democrata reiterou seu argumento de que o premiê seria um criminoso de guerra. Mamdani havia pedido ao governo Trump que prendesse Netanyahu, com base em um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), embora posteriormente tenha recuado, alegando falta de autoridade para tal ação.
O presidente Donald Trump, por sua vez, já havia descartado anteriormente cumprir o mandado do TPI e, em seu próprio discurso na ONU, criticou a corte de Haia, descrevendo-a como uma “instituição descontrolada” e um “grupo de pessoas malignas”. A postura de Trump alinha-se à defesa de Netanyahu e à rejeição da jurisdição do TPI sobre líderes israelenses e americanos.
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