A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou que vai nesta segunda-feira (7) à Polícia Federal (PF) em São Paulo, após ser intimada a depor, mas que só falará se tiver acesso às investigações do seu caso.

Ela é investigada por uma possível contratação de um hacker para inserir, de maneira ilegal, dados no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração da deputada foi dada por meio de nota do advogado da parlamentar, Daniel Bialski, na última sexta-feira (4). No documento, a defesa alega que Zambelli não cometeu ou participou de nenhum ato ilícito.

“Por expressa orientação da defesa técnica, [Zambelli] não responderá às perguntas até que sejam fornecidas cópias de todo o inquérito e das cautelares”, diz a nota do advogado, que complementa indicando que deputada quer “ser ouvida e prestar todos os esclarecimentos”.

Segundo o advogado de Zambelli, a demanda pelo acesso ao inquérito se dá “justamente para assegurar a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal”.

Entenda por que Zambelli é investigada

O hacker Walter Delgatti, conhecido por acessar e divulgar mensagens da operação Lava Jato, foi preso pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (2). A operação 3FA teve como principal foco esclarecer uma invasão aos sistemas do CNJ e a inserção de documentos e alvarás de soltura falsos.

O caso passou para a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) após a suspeita de envolvimento da deputada Carla Zambelli (PL-SP).

Segundo os investigadores, Delgatti teria invadido os sistemas entre setembro e dezembro de 2022 a pedido de Zambelli, com o objetivo de expor vulnerabilidades do Poder Judiciário pouco antes das eleições.

Na época, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendia, sem apresentar provas, que o sistema eleitoral brasileiro era inseguro e pedia que fosse alterado, com a inclusão do voto impresso nas urnas eletrônicas.

Além disso, a PF também investiga crimes que ocorreram entre os dias 4 e 6 de janeiro de 2023, quando teriam sido inseridos no sistema do CNJ e, possivelmente, de outros tribunais pelo país, 11 alvarás de soltura de indivíduos presos por motivos diversos, além de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.

O hacker preso recebeu R$ 13,5 mil da deputada, segundo a PF. Os pagamentos feitos são um dos elementos que embasam a operação.

“Os pagamentos foram sempre relacionados ao site, para ele fazer melhorias no site, fazer firewall no site e ligar as minhas redes sociais ao site, que ele próprio disse que não conseguiu realizar essa tarefa. Inclusive, deveria ter tido até a devolução [do dinheiro]”, argumentou Zambelli em coletiva na Câmara dos Deputados.

Após a operação da PF, líderes ligados à cúpula da Câmara dos Deputados passaram a apostar numa eventual cassação de Zambelli.

VÍDEO – PL teme cassação; entenda

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Carla Zambelli

Na última eleição, a parlamentar foi a mulher mais votada do Brasil para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados e a pessoa mais votada de São Paulo, com 946 mil votos. Ela está em seu segundo mandato consecutivo.

Desde o início do governo Bolsonaro, Zambelli se notabilizou como uma das principais aliadas do ex-mandatário, apoiando-o em pautas econômicas e de costumes.

Filiada ao PL, mesmo partido de Bolsonaro, atualmente, ela é vice-líder da minoria na Câmara.

Antes de entrar na vida pública, Zambelli atuou como gerente de projetos da KPMG em São Paulo, quando se tornou líder do movimento “Nas Ruas”.

*Com informações de Tainá Falcão, Fernanda Pinotti, Gabriel Ferneda e Léo Lopes, da CNN

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Fonte : CNN BRASIL

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