A ex-presidente Dilma Rousseff, atual líder do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics, anunciou recentemente que a instituição identificou um caminho para retomar operações financeiras com a Rússia. As atividades haviam sido suspensas em 2022, logo após o início da invasão da Ucrânia, devido à pressão das sanções impostas pelo Ocidente. Durante um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em maio, Dilma classificou a exclusão russa dos fluxos do banco como uma injustiça, sinalizando uma mudança estratégica na condução da entidade.
Estratégia de moedas locais como alternativa ao dólar
Desde que assumiu o comando do banco em abril de 2023, Dilma Rousseff tem intensificado o uso de moedas locais para reduzir a dependência do sistema financeiro tradicional, fortemente ancorado no dólar. Essa estratégia permite que a instituição levante e empreste recursos em moedas como o yuan, o rublo e a rupia, evitando, em parte, a infraestrutura bancária sob influência direta dos Estados Unidos. A meta estabelecida para o ciclo estratégico de 2027 a 2031 é que entre 40% e 50% dos financiamentos sejam realizados nessas moedas.
Dados recentes reforçam essa transição: em 2024, 43,5% dos financiamentos aprovados já utilizavam moedas dos países integrantes, índice que subiu para quase 46% em 2025. Ao diversificar as fontes de recursos, o banco busca criar um ambiente onde transações transfronteiriças possam ocorrer com maior autonomia, diminuindo a eficácia das ferramentas de pressão econômica ocidentais sobre nações como a Rússia.
O papel de Moscou na recondução da liderança
A relação entre o banco e a Rússia foi consolidada pela influência direta de Vladimir Putin. Embora o sistema de rodízio da instituição indicasse que a Rússia deveria indicar o próximo presidente para o mandato iniciado em 2025, Moscou abriu mão da prerrogativa e defendeu a continuidade de Dilma Rousseff no cargo. O movimento foi visto como uma forma de garantir que a gestão da instituição permanecesse alinhada aos interesses russos, evitando que o banco sofresse com os problemas decorrentes das sanções internacionais.
Riscos e exposição ao mercado financeiro global
Apesar da busca por independência financeira, o Banco dos Brics ainda mantém uma dependência significativa dos mercados globais para captar recursos. A instituição possui títulos listados em bolsas internacionais, como a de Londres e a Nasdaq Dubai, e continua recorrendo a emissões em dólar para sustentar suas operações. Essa dualidade coloca o banco em uma posição delicada, uma vez que o Tesouro dos Estados Unidos monitora de perto instituições financeiras estrangeiras que possam facilitar a evasão de sanções.
O risco reside no fato de que, caso as novas operações com a Rússia envolvam entidades ou indivíduos sancionados, o banco pode sofrer retaliações. A agência de classificação de risco Fitch, que havia rebaixado a nota da instituição em 2022, elevou a perspectiva para positiva em maio deste ano, destacando a recuperação do acesso aos mercados. Qualquer movimento que seja interpretado por Washington como uma tentativa de contornar restrições pode comprometer esse equilíbrio e a capacidade da entidade de captar capital internacionalmente. Para mais detalhes sobre o cenário econômico, consulte o Atlantic Council.
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